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Breve Relato da Vida Profissional de Rafael Dubeux:
por Eduardo Lima, Gerente da Brasmundi, Chefe de Rafael


Não há tarefa mais complexa e sinuosa para um líder do que avaliar e entender as dimensões de sua equipe, as arestas e os valores de seus liderados, de seu pessoal! Portanto, não haveria de ser diferente para o caso de Rafael, onde aqui, prefiro dizer que reconhecê-lo foi, felizmente, mais óbvio e simples.

A relação profissional com Rafael, diferentemente do que possa conceber, começou, para mim, no momento de sua entrevista e não no dia de início de suas atividades (dia 20/03/06). Foram quase 2h de conversa, talvez a entrevista de emprego mais longa já realizada na empresa e isso, claro, pelo simples motivo do entrevistador ter se impactado pelo tremendo potencial daquele rapaz, porque não dizer, “menino”, notoriamente captado em todos os aspectos avaliados para aquele momento pessoais, educacionais, profissionais, emocionais, etc. Não haveria como negar: Rafael era um candidato diferenciado ! Dentre as observações escritas feitas por mim, que podem ser facilmente verificadas na original que guardo de sua entrevista, destaco algumas que por si só, já eram determinantes para sua contratação : independência, persistência, desenvoltura, excelente inglês, dinamismo, disponibilidade, determinação e aparente vontade de ser mais, de crescer. Diante daquilo, concluí: Rafael já era parte de nossa equipe.!

E foi com este sentimento agregador de equipe que se dispôs a trabalhar na empresa. De início, com trabalhos mais operacionais e rotineiros, como abrir pastas, processos, arquivar documentos, etiquetar pastas, dar suporte aos analistas, ao invés de recuá-lo ou inibir a utilização de seu potencial, lançou-se ao trabalho, de forma que melhorou todas as rotinas e o atendimento à equipe. Assim, já era comum ouvir dos próprios colegas de trabalho (entendo como o maior e mais genuíno dos reconhecimentos) : “Rafael tem sido fundamental na operação”. Desse início, percebiam-se claramente aquelas que seriam uma das marcantes características no profissional e na pessoa de Rafael: a vontade e a humildade para aprender, uma inteligência natural e uma distinta solicitude! Nunca omisso às necessidades que impunham nossa operação, rapidamente começou a se inteirar dos procedimentos gerais da empresa, com aquela curiosidade e interesse natos de uma pessoa empreendedora, ativa, tanto que nos motivou a entregar para sua gestão, uma das áreas chaves da operação, a área de tracking e emissão de notas fiscais, onde, pela total determinação e dedicação, desempenhou um trabalho excepcional.

O tempo parecia sempre querer atropelar Rafael e vice-versa! Em pouco mais de quatro meses, passadas as primeiras atividades, gerenciar e alocar Rafael numa área era apenas uma questão de saber aonde ganhávamos mais com ele à frente de uma atividade. Entendíamos então que a área mais crítica para o momento era a área de custos e, tendenciosamente, pensamos e propomos: “Por que não Rafael?” De forma quase abrupta, Rafael não só aprendeu a lidar com as complexas planilhas de simulação de custos, como também, colaborou para melhora do formato existente e aí, evidentemente aos olhos de qualquer gestor, Rafael não poderia mais ser considerado um estagiário, um aprendiz! Ele já era um analista, uma pessoa com senioridade e atitude para agregar e melhorar o resultado de uma operação. Foram exatos 6 meses e 10 dias todo lapso de tempo necessário à sua contratação como analista de comércio exterior. Um tempo que sucumbiu ao talento, digo, Rafael foi contratado não pelo tempo de serviço, mas essencialmente por merecimento e capacidade.

Notoriamente satisfeito e envaidecido por sua conquista, Rafael foi ainda mais além. À procura por novos assuntos, novos formatos de negociação em comércio exterior, maior profundidade em conceitos, era bastante comum vê-lo ou ouvi-lo junto aos mais seniores da equipe ( incluo-me nesses bons momentos) com questionamentos importantes/coerentes, percepções diferenciadas e ouvidos sempre atentos às respostas ou discussões que certamente já contribuíam para seu amadurecimento profissional. Era o típico discernimento em se compreender e trabalhar uma oportunidade, destinados àqueles que além da inteligência, trazem consigo a sabedoria.

Grandes virtudes e arraigadas qualidades só faziam de sua permanência na empresa de uma escarpada subida, um futuro promissor. Enxergávamos tanto tudo isso, que já tínhamos cogitado sua migração para uma área não menos desafiadora, a área de importação por conta e ordem, importação direta e exportação, porém...

Esse tal tempo, refeito em suas inerentes fatalidades, foi o que se lançou prematuramente à frente da vida de Rafael e, para um cenário de tantos planos profissionais e pessoais, resta-nos agora o conforto de entender que ele foi requisitado para ser ainda maior e mais importante nos planos e desígnios de Deus, Aquele a quem Rafael dedicava total fé e confiança.

Enfim, abrindo um parêntese para ser um pouco mais pessoal, ter convivido com Rafael num ambiente de trabalho e contar ainda com sua consideração pessoal foi e está sendo agora, no momento em que escrevo estas palavras, sinônimo de realização, reconhecimento e agradecimento. Educado, disponível, inteligente, altruísta, reservado, concentrado, excelente replicador, simples, solidário, parceiro, autêntico nas opiniões ( falava o que achava), habilidoso, dedicado, comprometido, disposto e dotado de uma solicitude, simplicidade e inteligência ímpares, Rafael conseguia impregnar a todos os amigos com quem convivia, com aquilo que eu considerava de melhor nele : a sua latente e excelente boa natureza humana! Rafael, sem quaisquer intenções oportunistas ou clichês para este momento de dolorosa perda, foi uma pessoa diferenciada e admirada por todos que tiveram o prazer de tê-lo por perto! E, retomando o que falei anteriormente, as tais fatalidades que atravancam nossa tão conturbada e dinâmica rotina de vida, talvez não me permitam afirmar veementemente que ele seria um grande executivo, um profissional de sucesso nos negócios ( apesar das evidências, tudo é tão efêmero e assim foi para Rafael), todavia, não tenho receio em afirmar que Rafael, mesmo em seus early 21 anos, já era um grande homem, cujo caráter e postura diante da vida, dissiparam o amargor das fatalidades. Ser um grande homem é atemporal e entendo que isso fez de Rafael uma pessoa perenemente marcante nas nossas vidas.

Aos familiares, fica o reconhecimento pela boa educação e pela contribuição na criação de valores na vida de Rafael, porque tudo que ele refletiu em vida, nada mais foi do que o retorno da grande porção de carinho, cuidado, consideração e amor que ele tivera recebido.


Com todo apreço e consideração
Eduardo Lima
Recife/PE, 24 de novembro de 2006 .

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